sexta-feira, 19 de junho de 2009

A CASA DA PRAÇA

Li certo dia, num anúncio de jornal:
"vendo imóvel com amplas dependências: 3 salas, living room, escritório, três quartos sendo uma suite, copa, cozinha, lavanderia, dependencias para empregada, garagem para três veículos e belo jardim".
Logo percebi que o anuncio procurava retratar a casa da praça que eu conhecia.
No alto dos meus sete anos fiquei enfurecida.
Não era mesmo a descrição correta do "imóvel"!!
Se fosse , com certeza seria assim:
Casa com amplos e deliciosos jardins, onde se pode brincar à vontade e fazer "comidinhas" e pic-nics, chás com as amigas e desfile de bonecas.
Deliciosa rede, de onde se pode ver o céu com clareza e desenhar nas nuvens.
Garagem com bom espaço para guardar brinquedos, bicicleta, triciclo e patinete; quartinho, ao lado , excelente para esconder alguns animaizinhos (aqueles que vovó não gosta), dar comida e cuidar deles sem que ninguém saiba; lavanderia onde se pode tomar banho no tanque ou brincar com agua e sabão .
Quarto de passar roupa, excelente para deitar à tarde naquele sofazinho velho que vovó esqueceu num cantinho, sem contar o armário onde se pode esconder deliciosas guloseimas!
Quarto com grande guarda-roupas e espelho onde a gente pode se ver com aquelas roupas e sapatos lindos e altos da vovó. ( Ah, vovô também apoia e, por conta disso, ajuda a escolher as roupas, sapatos e joias!)
Fora isso, pelas manhãs, de dentro do quarto, debaixo das cobertas e sob a luz tênue das venezianas, se houve os pardais, como que a tagarelar em bandos dando vida ao jardim.
Esta sim, seria a descrição perfeita!
OBS : nos dias de chuva, sentar com vovô na frente da casa e abraça-lo forte, como se aquele momento jamais pudesse se perder no tempo.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.

William Shakespeare

aos meus grandes amigos....

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare

Soneto da separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinícius de Moraes

Inesquecível Vinicius!

Receita de mulher

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce
relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher de sujira sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável.

Vinícius de Moraes

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Frases do grande poeta

poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Deus quer, o homem sonha e a obra nasce.

O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,mas na intensidade com que acontecem.Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

NÃO SEI

(Cora Coralina)


Não sei... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar"
Este é o Fu, aquela pessoa que me atura todos os dias ( e de vez em quando não é facil....) divide tudo, até as dívidas e tá sempre perto na hora do aperto. Às vezes ele é meio ranheta, mas....quem não é???

sábado, 6 de junho de 2009

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
Tentei substituir pessoas insubstituíveis 
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
Já me decepcionei com pessoas 
quando nunca pensei me decepcionar, 
mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger, 
Já dei risada quando não podia, 
Fiz amigos eternos, amei e fui amada, 
mas também já fui rejeitada, fui amada e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, 
Já vivi de amor e fiz juras eternas, 
“Quebrei a cara” muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
Já liguei só pra escutar uma voz, 
Me apaixonei por um sorriso,
Já pensei que fosse morrer de tanta saudade 
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida...
E você também não deveria passar! Viva!!!
Bom mesmo é ir a luta com determinação,
Abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve 
e a vida é MUITO pra ser insignificante!!

“Charlie Chaplin”